Raul Solnado, Actor


Um minuto pode ser muito ou pouco tempo. Tudo ou nada. Quando pedimos a alguém que nos dê qualquer informação, se não tivermos pressa, um minuto pode ter para nós a leveza de um segundo, e pelo contrário, se estivermos apressados, um minuto poderá significar uma antiguidade.
E se tivermos a cabeça mergulhada no mar ou numa piscina, quanto tempo é este? É apenas o compasso de um fôlego, ou um desmaio a caminho da morte? E quantos minutos mudaram a nossa vida?
Como alguém disse, o “Tempo é a imagem móvel da imóvel eternidade”, e um minuto é um pingo no tempo, mas aquela permanência pode ser nula ou poderosa.
Ali, naquela brevidade, enquanto aquele ínfimo tempo está activado, tudo ou nada pode acontecer. Podemos pensar nas nossas alegrias menores: a camisa que ontem se rasgou, o numero da loteria que não saiu, ou uma velha prima que tem a ureia elevada, ou a porta da casa de banho empenou.
Como é eram utilizados os minutos do Nero, do Hitler, do Estaline, ou dum criminoso de serie? Teria sido uma emboia nas nossas ampulhetas ou uma avaria no relógio de Deus?
E São Francisco, o Padre Cruz, os médicos João Semana e o Bill Gattes, que é quase como um ser bipolar: em sessenta segundos pode pensar em ganhar não sei quantos milhões e simultaneamente, naquela pequena porção de tempo pode pensar distribuir não sei quantos milhões na sua fabulosa obra social? E aquele genial minuto do Galileu que pôs o mundo às avessas?
Se o tempo é oiro, há minutos que são diamantes.


Além do texto sobre silêncio, que publicamos no livro, Raul Solnado enviou-nos este segundo, sobre "um minuto".