Textos dos leitores
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Texto nº.13:

Em casa somos 7, todos muito barulhentos: a mãe (eu) está sempre a refilar, a dar ordens, a fazer exigências, ou simplesmente a pôr ordem na casa; o pai é muito mais calmo e paciente, mas sempre com coisas pertinentes para dizer, para ensinar, para explicar, e sempre pronto para conversar; os filhos, na maioria rapazes, que são três, fazem voar constantemente a bola apesar da total proibição da mesma, e quando a bola está parada voam as brigas e as discussões; as meninas, que são só duas e aparentemente mais sossegadas, têm sempre opinião sobre tudo e estão sempre metidas no meio das bolas, das brigas e das discussões.
Tudo isto sempre com o pano de fundo de um piano, de uma viola ou de um CD a tocar.

No trabalho, somos uma Comunidade Terapêutica para Toxicodependentes, com muita gente a trabalhar, muito mais gente para quem há que trabalhar, muitos projectos a desenvolver, desafios constantes a aparecer e problemas sucessivos para resolver.

Entre a casa e o trabalho é um contínuo desfiar de correrias no trânsito da cidade, entre a escola e a ginástica de um filho, entre a outra escola e a música do outro filho, entre mais uma escola e mais uma actividade de um outro filho, entre o supermercado e a casa daquele amigo, entre sempre mais alguma coisa que aparece e uma outra que desaparece.

Confusão? É verdade. Uns dias menos que outros, também é verdade.

E como é possível aguentar isto, dia após dia, e aguentar contente, com alegria? (uns dias mais que outros, também é verdade…)

Só é possível porque há um espaço.

Um espaço que me abre a porta da minha vida interior onde me é dado poder ver mais longe que o meu olhar, poder entender o que a minha inteligência não alcança, poder escutar para além do que oiço. E assim aceitar com serenidade o que pode não ser sereno.

Um espaço onde descubro o que está mais além de mim mesma, o caminho para o outro, para a vida interior do outro; onde o Belo e o Bem são reflectidos com uma luminosidade e uma limpidez pura.

É aqui que se aprofunda o amor.
É aqui que cresce o encontro, a relação, a comunhão.
É aqui que posso dar tempo à escuta da palavra que não é dita, mas que está lá.
É aqui que posso dar lugar ao Mistério, que não entendo mas que acolho.
É aqui que se torna possível, numa total confiança, o abandono e a entrega.

Aqui, no Silêncio.

Só porque há Silêncio é possível não me perder no ruído.
Só porque há Silêncio é possível viver na confusão.
Só porque há silêncio é possível não estar só, não conhecer a solidão e o vazio.

Aqui, imersa no barulho, mas no Silêncio.


Rita Líbano Monteiro


Texto nº.12:

há silêncios de amargura. de desespero.
há silêncios de dor, silenciada; de gritos contidos,
de pavor com olhos fechados.

há silêncios de exaustão e de perda.
há silêncios suspensos.

há silêncios desejados, queridos.
e há silêncios aceites, entregues.

nessa ausência aparente de som
joga-se o ser e a dor,
o movimento e o sonho.

um silêncio é sempre uma passagem
um caminho interior.

recordo-me dos caminhos e passagens
para Shangri la.
dos seus nevoeiros,
escuridão, cumes e precipícios.

do se ar rarefeito; do frio e gelo
que o sol mal aquece.

nunca se percebe quando acaba o caminho,
senão quando descobrimos que fizemos a
passagem. inesperadamente.


Luís


Texto nº.11:

Silêncio é…

Silêncio é o amor que se evapora num olhar
Silêncio é a amizade que transparece num gesto
Silêncio é o sorriso das crianças

Silêncio são os sonhos!

Silêncio é percorrer o Mundo num só passo
Silêncio é o mar
Silêncio é o céu, o sol, as estrelas

Silêncio são as ambições!

Silêncio é o teatro, é a vida
Silêncio é a maneira de ver o Mundo
Silêncio é um pássaro a voar

Silêncio são meros momentos!

Silêncio é ver num gesto o que se ouve numa palavra
Silêncio é rir, pensar, fazer
Silêncio é cantar, representar

Silêncio é, silêncio é, silêncio é…
Talvez, o mais sonoro dos ruídos!


Filipa Sousa


Texto nº.10:

(…) Quem nunca sentiu um nó na garganta perante um quadro esmagador da natureza? Quem nunca se puniu, em pensamento é certo, por algo que deveria ter feito e não fez? Quem nunca fez mil e um projectos fantasmáticos, mil e uma viagens alucinantes à volta do mundo? Como se está a ver este sucedâneo de silêncio é tudo menos silêncio. É na verdade um não silêncio, pois absolutamente redentor e vivificante para aquele que o buscou de forma consciente ou para aquele que o experimenta por obra do acaso. O silêncio é uma outra coisa.

Cândida Sá


Texto nº.9:

"Não temas o meu silêncio, que ele é apenas o meu medo a falar por mim" - LR, 2001

Lígia Raquel



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